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86% dos brasileiros pretendem usar o 13º para pagar dívidas


Nosso âncora e diretor executivo de Estudos e Pesquisas Econômicas da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira, realizou durante o mês de outubro de 2018, pesquisa junto a 1.077 consumidores de todas as classes sociais com objetivo de apurar como eles devem utilizar os recursos recebidos do seu 13º salário, que será pago nos dias 30 de novembro (1ª parcela) e 20 de dezembro (2ª parcela).

Acompanhe a íntegra da pesquisa de utilização do 13º salário, que foi dividida em seis partes, sendo que a Parte VI traz importantes recomendações ao consumidor sobre a utilização do 13º salário.

Parte I – Identificação dos principais itens de gastos do 13º salário;

Parte II – Abertura do principal item de gastos – pagamento de dívidas a fim de identificar a sua composição:

Parte III – Abertura do segundo item de gastos – compras do natal a fim de identificar a composição e a intenção de gastos;

Parte IV – Intenção de gastos em valores – quanto o consumidor pretende gastar com suas compras de natal;

Parte V – Formas de pagamentos nas compras de natal;

Parte VI – Recomendações ao consumidor;

Parte 1 – O destino do 13º salário


Assim como ocorreu nos anos anteriores, a grande maioria dos consumidores (86%) pretende utilizar o 13º para o pagamento de dívidas já contraídas (aumento de 1,18% sobre 2017). Isto demonstra que a redução da atividade econômica, desemprego maior, taxas de juros elevadas aumentaram o endividamento dos consumidores.

 Houve igualmente uma redução no percentual de consumidores que pretendem poupar parte do que sobrará de seu 13º salário para as despesas de começo do ano, redução de 25,00% sobre 2017 e isto se deve ao fato de que com o maior endividamento das famílias a maior parte destes recursos serão destinados ao pagamento de dívidas, o que reduz o volume de recursos que sobram para aplicações financeiras.

Parte II – Principais dívidas em aberto que serão liquidadas com o 13º salário


 Como vem ocorrendo todos os anos, a grande parte dos consumidores (94%) têm dívidas contraídas no cheque especial e no cartão de crédito e pretendem utilizar os recursos do 13º salário para regularizá-las.

 O cartão de crédito é a linha de crédito com maior peso na composição das dívidas em aberto dos consumidores, tendo atingido em 2018, 49% do total (redução de 3,92% sobre 2017) contra 45% do cheque especial (elevação de 4,65% sobre 2017).

 Houve uma redução de 3,92% no número de consumidores que pretendem utilizar o 13º salário para a regularização do cartão de crédito. Este fato pode ser atribuído por conta das mudanças das regras do rotativo do cartão de crédito que agora permite ao consumidor parcelar o saldo em aberto de seu cartão de crédito diretamente na sua instituição financeira.

Parte III – Intenção de compra no Natal com recursos do 13º salário e de financiamento


 Neste ano os produtos que mais vão atrair os recursos do 13º salário serão: roupas com 65%, celulares 58% e bens diversos com 57%.

 Diversos segmentos (quase a totalidade dos segmentos) apresentaram uma redução na intenção de gastos dos consumidores (produtos de valor agregado maior) como eletrônicos, celulares, linha branca, informática e materiais de construção, demonstrando uma maior cautela e redução de gastos dos consumidores, seja por conta de um ano de 2018 mais difícil (baixo crescimento, desemprego elevado e juros altos), seja por conta da continuidade de piora das expectativas econômicas para o ano de 2019 (muitos consumidores estão pessimistas quanto aos rumos da economia para 2019).

 A redução de compras de brinquedos pode ser atribuída à mudança de hábitos de consumo deste público que vem preferindo cada vez mais produtos eletrônicos e celulares.

Parte IV – Intenção de gastos e valores


Os gastos aqui listados serão pagos tanto com os recursos do 13º salário como através de financiamentos;

A pesquisa demonstra claramente a preocupação dos consumidores com seus gastos neste ano, conforme apontado na Parte I anterior, aonde os consumidores pretendem reduzir o volume de seus gastos neste Natal.

Como demonstrado acima, houve um aumento no número de consumidores que pretendem gastar valores menores neste Natal e uma redução nos que pretendem gastar os maiores valores.

 Em 2018, 96% dos consumidores pretendem gastar no natal até R$ 500,00, contra 95% em 2016.

 Em 2018, 4% dos consumidores pretendem gastar no Natal mais de R$ 500,00 contra 5% em 2017.

 As maiores elevações com crescimento de 5,71% de 2017 para 2018 se deu entre os consumidores que pretendem gastar entre R$ 100,00 e R$ 200,00.

 As maiores reduções com queda de 50,00% se deram entre os consumidores que pretendem gastar entre R$ 500,00 e R$ 1.000,00, seguindo-se daqueles que pretendem gastar entre R$ 200,00 e R$ 500,00, com uma redução de 2,44%. Estes fatos podem ser atribuídos ao baixo crescimento econômico em 2018, além dos dois anos de retração econômica, desemprego elevado e juros altos o que aumenta o endividamento das famílias.

Parte V – Formas de pagamento das compras


Respostas múltiplas já que parte das compras serão pagas com os recursos recebidos do 13º salário e parte através de financiamentos bancários ou do próprio comércio.

 A pesquisa demonstra um aumento na intenção dos consumidores de pagar com recursos próprios;

 Houve um aumento de 2,30% no número de consumidores que pretendem utilizar recursos próprios para as compras de natal e uma redução de 28,57% no número de consumidores que deverão utilizar financiamentos bancários.

VI – Recomendações ao consumidor

 Use o 13º preferencialmente no pagamento de dívidas, principalmente aquela que embutem encargos maiores como o cartão de crédito rotativo e o cheque especial onde na média atinge 11,74% ao mês (278,88% ao ano) e 11,82% ao mês (282,15% ao ano) respectivamente;

 Aproveite o 13º para regularizar igualmente suas outras dívidas, lembrando-se de negociar o estorno dos juros de mora embutidos nestas dívidas;

 Quitadas as dívidas, lembre-se de tentar reservar os valores necessários para as despesas de começo do ano (IPTU, IPVA e de despesas escolares (livros, uniformes e matriculas), além das compras de natal (cheques pré-datados e cartão de crédito) para evitar entrar novamente no vermelho no começo do próximo ano;

 Após todas estas regularizações e sobrando alguns recursos para aqueles que eventualmente tenham contraído algum financiamento junto a bancos, financeiras ou comércio, o artigo 52 do Código de Defesa do Consumidor garante a retirada dos juros embutidos nestes financiamentos para as parcelas que eventualmente tiverem seus pagamentos antecipados total ou parcialmente, juros estes que serão retirados proporcionalmente ao período antecipado.

 Não tendo dívidas ou após a regularização das dívidas existentes e sobrando algum valor, aplique em um fundo de renda fixa ou na caderneta de poupança;

 Se for fazer um financiamento, pesquise sempre as taxas de juros e demais acréscimos na medida em que existem enormes variações nas condições dos financiamentos;

 Evite comprometer demasiadamente seu orçamento com dívidas;

 Evite empréstimos de longo prazo que além de representarem custos maiores, comprometem sua renda por longo período;

 Após regularizar seu cheque especial e cartão de crédito, evite entrar novamente nestas duas modalidades de crédito, uma vez que cheque especial não é renda e por isso deve ser usado por período curto e emergencial;

 Se possível adie suas compras para juntar o dinheiro e comprar à vista evitando os juros. Entretanto caso isso não seja possível pesquise muito, barganhe e compre nos menores prazos possíveis (quanto menor o prazo menor a incidência de juros).

 Nunca deixe de pesquisar preços do produto em diversas lojas concorrentes, você irá achar uma loja com um valor mais barato.

 Sempre que for adquirir algo, negocie o preço, pechinche. “Mesmo que achar barato”.

 Antecipe suas compras de Natal. Quanto mais próximo das festas deixar para comprar, mais caro os produtos ficarão. Outras compras podem ser feitas em janeiro, quando há “queima de estoques” nas lojas.

 Não compre produtos recentemente lançados no mercado. Corre-se o risco de pagar caro. Procure comprar o produto na época de oferta maior. A redução do preço pode chegar a até 50%.

 Produtos que irão sair de linha também não são uma boa opção de compra. Um carro, por exemplo, no momento em que for vender, terá uma redução significativa do valor.


12.11.18 13:14

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