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Para onde vai o 13º salário

74% pretende pagar dívidas, diz pesquisa


“Assim como ocorreu nos anos anteriores, a grande maioria dos consumidores (74%) pretendem utilizar o 13º para o pagamento de dívidas já contraídas (aumento de 8,82% sobre 2014). Isto demonstra que a redução da atividade econômica, elevação das taxas de juros e inflação mais elevada aumentaram o endividamento dos consumidores”.

Essa é uma das principais indicações da pesquisa realizada pelo nosso âncora Miguel José Ribeiro de Oliveira para Anefac - Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade, sobre a utilização pelos consumidores do 13º salário.

O diretor executivo de Estudos e Pesquisas Econômicas da entidade, Ribeiro de Oliveira, explica que a pesquisa ocorreu durante o mês de outubro de 2015, junto a 1.037 consumidores de todas as classes sociais, cujo objetivo foi apurar como eles devem utilizar os recursos recebidos do seu 13º salário, que será pago nos dias 30 de novembro (1ª parcela) e 20 de dezembro (2ª parcela).

Acompanhe a íntegra da pesquisa e destaque uma atenção especial às suas recomendações.
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Parte I – Identificação dos principais itens de gastos do 13º salário;

Parte II – Abertura do principal item de gastos – pagamento de dívidas a fim de identificar a sua composição;

Parte III – Abertura do segundo item de gastos – compras do natal a fim de identificar a composição e a intenção de gastos;

Parte IV – Intenção de gastos em valores – quanto o consumidor pretende gastar com suas compras de natal;

Parte V – Formas de pagamentos nas compras de natal;

Parte VI – Recomendações ao consumidor;


 Assim como ocorreu nos anos anteriores, a grande maioria dos consumidores (74%) pretendem utilizar o 13º para o pagamento de dívidas já contraídas (aumento de 8,82% sobre 2014). Isto demonstra que a redução da atividade econômica, elevação das taxas de juros e inflação mais elevada elevaram o endividamento dos consumidores.

 Houve uma redução de 27,27% de 2014 para 2015 no número de consumidores que pretendem utilizar o 13º para a compra de presentes, demonstrando maiores dificuldades e preocupações dos consumidores com os gastos neste ano.

 Houve igualmente uma redução no percentual de consumidores que pretendem poupar parte do que sobrará de seu 13º salário para as despesas de começo do ano, redução de 27,27% sobre 2014 e isto se deve ao fato de que com o maior endividamento das famílias a maior parte destes recursos serão destinados ao pagamento de dívidas, o que reduz o volume de recursos que sobram para aplicações financeiras.


 Como vem ocorrendo todos os anos, a grande parte dos consumidores (83%) têm dívidas contraídas no cheque especial e no cartão de crédito e pretendem utilizar os recursos do 13º salário para regularizá-las.

 Houve uma redução de 20,00% na quantidade de consumidores que possuíam dívidas com prestações do comércio em atraso.

 O cartão de crédito é a linha de crédito com maior peso na composição das dívidas em aberto dos consumidores tendo atingido em 2015, 44% do total (crescimento de 2,33% sobre 2014) contra 39% do cheque especial (elevação de 2,63% sobre 2014).


Obs. Respostas múltiplas motivo pelo qual a soma passa de 100%.

 Neste ano, os produtos que mais vão atrair os recursos do 13º salário serão: roupas com 75%, celulares 73% e eletroeletrônicos e bens diversos com 65%.

 Diversos segmentos de compras apresentaram uma redução na intenção de gastos dos consumidores (produtos de valor agregado maior), como eletrônicos, celulares, linha branca, informática e materiais de construção, demonstrando uma maior cautela e redução de gastos dos consumidores, seja por conta de um ano de 2015 mais difícil (recessão econômica, inflação maior e juros maiores), seja por conta da piora das expectativas econômicas para o ano de 2016.

 A redução de compras de brinquedos pode ser atribuída à mudança de hábitos de consumo deste público que vem preferindo cada vez mais produtos eletrônicos e celulares.


Os gastos aqui listados serão pagos tanto com os recursos do 13º salário, quanto através de financiamentos;

A pesquisa demonstra claramente a preocupação dos consumidores com seus gastos neste ano, conforme apontado na Parte I anterior, aonde os consumidores pretendem reduzir o volume de seus gastos neste Natal.

Como demonstrado acima, houve um aumento no número de consumidores que pretendem gastar valores menores neste Natal e uma redução nos que pretendem gastar os maiores valores.

 Em 2015, 90% dos consumidores pretendem gastar no natal até R$ 500,00, contra 87% em 2014.

 Em 2015, 10% dos consumidores pretendem gastar no Natal mais de R$ 500,00 contra 13% e, 2014.

 As maiores elevações com crescimento de 14,29% de 2014 para 2015 se deu entre os consumidores que pretendem gastar até R$ 100,00, seguindo-se daqueles que pretendem gastar entre R$ 100,00 e R$ 200,00 com um crescimento de 6,67%.

 As maiores reduções com queda de 33,33% se deram entre os consumidores que pretendem gastar entre R$ 1.000,00 e R$ 2.000,00, seguindo-se daqueles que pretendem gastar entre R$ 1.000,00 e R$ 2.000,00 com uma queda de 33,33%. Estes fatos podem ser atribuídos à piora da economia em 2015 com a elevação da inflação e dos juros além da retração econômica que aumenta o endividamento das famílias.


Respostas múltiplas já que parte das compras serão pagas com os recursos recebidos do 13º salário e parte através de financiamentos bancários ou do próprio comércio.

 A pesquisa demonstra um aumento na intenção dos consumidores de pagar com recursos próprios;

 Houve um aumento de 2,50% no número de consumidores que pretendem utilizar recursos próprios para as compras de natal e uma redução de 16,67% no número de consumidores que deverão utilizar financiamentos bancários.

VI – RECOMENDAÇÕES AO CONSUMIDOR

 Use o 13º preferencialmente no pagamento de dívidas, principalmente aquela que embutem encargos maiores como o cartão de crédito rotativo e o cheque especial onde na média atinge 13,59% ao mês (361,40% ao ano) e 10,24% ao mês (222,16% ao ano) respectivamente.

 Aproveite o 13º para regularizar igualmente suas outras dívidas, lembrando-se de negociar o estorno dos juros de mora embutidos nestas dívidas.

 Quitadas as dívidas, lembre-se de tentar reservar os valores necessários para as despesas de começo do ano (IPTU, IPVA e de despesas escolares (livros, uniformes e matriculas), além das compras de natal (cheques pré-datados e cartão de crédito) para evitar entrar novamente no vermelho no começo do próximo ano.

 Após todas estas regularizações e sobrando alguns recursos para aqueles que eventualmente tenham contraído algum financiamento junto a bancos, financeiras ou comércio, o artigo 52 do Código de Defesa do Consumidor garante a ele a retirada dos juros embutidos nestes financiamentos para as parcelas que eventualmente tiverem seus pagamentos antecipados total ou parcialmente, juros estes que serão retirados proporcionalmente ao período antecipado.

 Não tendo dívidas ou após a regularização das dívidas existentes e sobrando algum valor, aplique em um fundo de renda fixa ou na caderneta de poupança.

 Se for fazer um financiamento, pesquise sempre as taxas de juros e demais acréscimos na medida em que existem enormes variações nas condições dos financiamentos.

 Evite comprometer demasiadamente seu orçamento com dívidas.

 Evite empréstimos de longo prazo que, além de representarem custos maiores, comprometem sua renda por longo período.

 Após regularizar seu cheque especial e cartão de crédito, evite entrar novamente nestas duas modalidades de crédito, uma vez que cheque especial não é renda e, por isso, deve ser usado por período curto e emergencial.

 Se possível adie suas compras para juntar o dinheiro e comprar à vista, evitando os juros. Entretanto, caso isso não seja possível, pesquise muito, barganhe e compre nos menores prazos possíveis (quanto menor o prazo menor a incidência de juros).

 Nunca deixe de pesquisar preços do produto em diversas lojas concorrentes, você irá achar uma loja com um valor mais barato.

 Sempre que for adquirir algo, negocie o preço, pechinche. “Mesmo que achar barato”.

 Antecipe suas compras de Natal. Quanto mais próximo das festas deixar para comprar, mais caro os produtos ficarão. Outras compras podem ser feitas em janeiro, quando há “queima de estoques” nas lojas.

 Não compre produtos recentemente lançados no mercado. Corre-se o risco de pagar caro. Procure comprar o produto na época de oferta maior. A redução do preço pode chegar a até 50%.

 Produtos que irão sair de linha também não são uma boa opção de compra. Um carro, por exemplo, no momento em que for vender, terá uma redução significativa do valor.

27.10.15 23:43

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